quarta-feira, 1 de junho de 2011

CARTA À AMANDA

Francisco Sales Felipe (Advogado)
                            




Os sonhos não podem ser demolidos. Eles se azulam no rumo do infinito. A ignorância se assemelha aos sargaços deixados pelo mar na areia. É o mar soluçando e essas algas enchendo as nossas praias.

Amanda, a nação assiste, ao mesmo tempo, à divindade de sua resistência e à demolição do patrimônio público pelos que se entregaram aos lençóis da FIFA. No mercado da cartolagem, em cada canto há um audacioso.

Estava arrumando meu matolão - e nele colocando o sonho de voltar ao meu sertão para sossegar minha alma ante tantas desilusões - quando vi sua imagem e ouvi sua voz firme e compassada. Naquela hora, Amanda,  deixei meu saudosismo compulsivo, e um riacho de vontade de resistir me banhou. E sob aquelas cascatas me chegaram logo os aromas das flores-de-cachoeira da nossa terra.

"Royal Cinema", "Serenata do Pescador" e "A Desfolhar Saudades", de repente, ressurgiram como sons musicais para te louvar, Amanda,  e pelos teus sonhos irão por aí espargindo a canção: Amando Natal. Amanda, Natal!

Nísia Floresta e Palmira Wanderley, intercedei, junto a Deus, por todos nós. Diante de  Marize Castro, Diva Cunha, Iracema Macedo e Carmen Vasconcelos - poetas de versos tão sublimes - o atrevimento e a bajulação dos demolidores afirmam que o lugar de educador não é na biblioteca. Eis, portanto, o teor da nossa intercessão: Deus onipotente, afastai de seus filhos os fazedores de promessas - estas sempre renovadas e por isso denunciadoras de que a espera por esse dia que nunca vem  se transformará, inevitavelmente, numa angústia que, uma vez represada, um dia explodirá em gritos divinais. Dai-nos, senhor Deus, a verdade, a coragem de dizê-la e a ternura de Amanda quando os aventureiros chegarem de marreta em punho para destruir o nosso "Poema de Concreto".

Eles, Amanda, permitiram que o antigo casario de nossa Ribeira - linhas arquitetônicas de uma época de estação de trem e maria-fumaça - ruísse. E hoje o que nos resta daquele tempo?

Não! A minha Natal, a nossa Natal não aceitará a presença desses cartolas que pretendem, acintosamente, sujar a honra da terra onde nasceu Amanda.

Finalmente, Amanda, digo-lhe com a firmeza herdada dos nossos antepassados. É bom ser honesto e assistir às suas aulas.

Que Deus nos ilumine na salvação da Educação do nosso Rio Grande do Norte.








2 comentários:

  1. "Que saudade da professorinha ) QUE ME ENSINAVA o be-a-ba."
    Antes as professoras passavam mais de 20 anos na sala de aula de fato, não existia stress,depressão, etc.
    Quanto tempo Amanda passou em sala de aula de escola publica?

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  2. Hugo Tavares Dutra1 de junho de 2011 13:26

    A título de informação. E a quem interessar possa:o pronunciamento da Profª Amanda na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte não foi uma peça pontual, construída para aquela ocasião. Nem tão pouco o seu pronunciamento foi num pulsar de emoção. Aquelas palavras foram proferidas por quem ao longo do tempo pautou a sua vida vida nas veredas da cidadania. A passagem de Amanda na presidência do Centro Acadêmico do curso de Letras da UFRN, e/ou de qualquer curso de qualquer universidade é um privilégio de poucos. Somente e quase que somente os que teem compromisso com a sociedade se doam ao front das lutas estudantis e da sociedade. Quem foi estudante e não militou no movimento estudantil talvez nem entenda o que tento dizer. O que importa é o compromisso... diga-se de passagem que Amanda também militou no DCE -Diretório Central de Estudantes da UFRN, e já tentou por duas vezes ser presidenta do SINTE/RN. Isso é um privilégio de poucos.
    Na luta pela democracia não existe espaço para quem não entende o ser humano em sua plenitude. Quem é Amanda? Para um bom entendedor, apenas, um simples pronunciamento basta.

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