quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

RICARDO TEIXEIRA RECEBE DINHEIRO DE SUSPEITA

Folha
Teixeira recebeu de suspeita, diz polícia

A Polícia Civil em Brasília encontrou cheques de R$ 10 mil ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira, emitidos por Vanessa Precht, uma das sócias da empresa suspeita de ter superfaturado amistoso da seleção brasileira. O jogo foi bancado por R$ 8,5 milhões em dinheiro público.

Os cheques foram encontrados no ano passado no computador de Vanessa, numa busca e apreensão feita em seu apartamento pela polícia. Também houve operações na sede da empresa.

Um contrato entre Vanessa e Teixeira de março de 2009, menos de quatro meses após jogo, estabelece um arrendamento da fazenda dele para a sócia da Ailanto.

Pelo documento, obtido pela Folha, ela deveria pagar R$ 10 mil mensais pelo aluguel da terra que poderia explorar. O contrato foi mostrado pela TV Record em 2011.

O acordo é válido por cinco anos. Ou seja, totalizaria um pagamento de R$ 600 mil dela para o dirigente.

Cedida a Vanessa, a Fazenda Santa Rosa 3 tem 920 mil m² e foi comprada por Teixeira em 2003. Seu endereço é a estrada Hugo Portugal, 11.505, em Piraí, a cerca de 80 km do Rio de Janeiro.

Fica ao lado da fazenda Santa Rosa original, também de Teixeira, na estrada Hugo Portugal, 13.300. Nesse local, funcionava a VSV Agropecuária e Empreendimentos Ltda, também de Vanessa, como revelou ontem a Folha.

Funcionários da fazenda negam que houvesse outra empresa ou administrador no local além de Teixeira. É ele que aparece como gestor da Agropecuária Santa Rosa, que opera a fazenda.

Com a descoberta dos cheques nominais emitidos por Vanessa, a polícia concluiu que há um vínculo entre Teixeira e a Ailanto Marketing.

O presidente da CBF sempre negou relação com a empresa. Alegava que essa era apenas a responsável pela organização do amistoso entre Brasil e Portugal em 2008.

A confederação, como entidade privada detentora dos direitos da seleção, cedeu o jogo a agências de marketing, que os repassaram à Ailanto.

A empresa tem como sócios Vanessa Precht e Sandro Rosell, presidente do Barcelona e amigo íntimo de Teixeira. 

Os cartolas têm relação próxima desde que Rosell comandou a Nike no Brasil.

Criada em maio de 2008 com capital de R$ 800,00, a Ailanto fechou contrato com o governo do Distrito Federal no final do mesmo ano para organizar a partida.

O acordo era de R$ 9 milhões, mas a empresa recebeu R$ 500 mil a menos, segundo prestações de contas.

A Polícia Civil encontrou indícios de superfaturamento nas diárias dos hotéis da seleção brasileira e de Portugal, com valores quase duas vezes acima dos de mercado.

A Federação Brasiliense de Futebol ainda pagou boa parte dos gastos do jogo, realizado no estádio Bezerrão.

INVESTIGAÇÃO

Em Brasília, a investigação atua em duas frentes. Na parte civil, o Ministério Público do DF cobra da Ailanto a devolução do dinheiro do governo distrital, à época comandado por 

José Roberto Arruda, afastado por outro caso de corrupção. A Polícia Civil faz a investigação criminal.

Não houve indiciamentos, e o caso está sob sigilo.
As investigações em Brasília, contudo, sofreram um revés no fim do ano passado. O promotor responsável pelo caso, Albertino de Souza Pereira Neto, morreu após um acidente de carro, e a Promotoria retomou o processo apenas na semana passada.

DATAS

Fato é que, oito dias antes do amistoso, a Ailanto criou uma empresa, VSV, com sede na fazenda de Teixeira.

E, três meses depois da partida, Vanessa Precht assinou contrato com Teixeira para pagá-lo pela fazenda.

O acordo ainda prevê que o arrendamento poderia ser renovado por períodos de mais um ano. E também estabelece que o contrato continua válido mesmo com possível venda da fazenda.

Para rescindi-lo, era preciso anuência das duas partes.


LUCIANO VALE AFASTADO DA BAND

Uol.

Com problemas psicológicos, Luciano do Valle é afastado da Band.

Luciano do Valle, 68 anos, está afastado da Band por recomendação médica. Há algum tempo, o narrador esportivo tem dado mostras de que não anda bem. Em sua última participação, no jogo Santos x Palmeiras, no dia 5, cometeu várias gafes, trocando nomes e posições dos jogadores. Dizem, nos bastidores, porque estava sob efeito de remédios. Ele também foi cortado da transmissão do Carnaval de Recife. Comenta-se na Band que Luciano sofre de ataques de pânico e de ansiedade. Na Copa de 2010, deu tanto trabalho que foi dispensado antes do fim. A mulher dele, Flávia Comin, disse à coluna que o marido não está doente. "O único pânico que ele conhece é o da Rede TV!", afirmou. Sobre Recife, falou que a Band avisou Luciano muito em cima da hora, por isso não pôde participar. A emissora informa que ele se afastou porque está muito gripado, mas que voltará quando estiver bem.

GASOLINA CARA

Oglobo



Brasileiro paga gasolina de ‘primeiro mundo’




Rio — Mesmo com o controle de preço dos combustíveis pelo governo — uma tentativa de estabilizar a inflação ao consumidor no país — o motorista brasileiro paga um dos litros de gasolina mais caros do mundo. Uma pesquisa da consultoria americana Airinc, obtida pelo GLOBO, mostra que a gasolina comum vendida nos postos do país (R$ 2,90 por litro) custa 40% a mais do que em Buenos Aires (R$ 2,08) e 70% acima do comercializado em Nova York (R$ 1,71). Os dados foram coletados em 35 países, no mês de janeiro, e revela que a gasolina brasileira ocupa a 13ª posição entre as mais caras do mundo, próximo de países desenvolvidos. Como na Noruega, onde o combustível chega a custar R$ 4,49. Também estão à frente do Brasil, Inglaterra e Itália.


Segundo especialistas, os impostos cobrados sobre o produto nas bombas são os responsáveis pela distorção. O preço do combustível ao consumidor é atualmente composto por 39% de carga tributária (ICMS, Cide, PIS/Pasep e Cofins). Outros 18% são a margem da distribuidora e revendedora; 9% são o custo do álcool anidro (que é adicionado à gasolina) e mais 34% referem-se ao custo da refinaria.


Segundo Alisio Vaz, presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), o principal problema está no imposto na esfera estadual. No Rio, por exemplo, o governo do estado cobra 31% de ICMS sobre a venda da gasolina. Isso representa R$ 0,90 do preço do produto.
— Não é nosso papel ficar reclamando de tributação. 


Quem tem que fazer isso é o consumidor. O imposto é estabelecido pelos poderes Executivo e Legislativo. Mas a carga tributária é sim muito alta — afirmou Vaz, para quem o peso tributário torna desprezível, por exemplo, os problemas logísticos do país na distribuição de combustíveis, o que aumentaria em “alguns centavos de real o custo final do produto”.


Especialistas divergem sobre redução de impostos

Para Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, no entanto, política tributária do combustível no país está correta. Ele explica que uma gasolina barata aumentaria o consumo do produto, causador de poluição, e beneficiaria apenas a parcela da população que tem dinheiro para ter automóvel:


— Uma gasolina barata não beneficiaria a coletividade. Reduzir impostos da gasolina significaria abrir mão de arrecadação para outros objetivos, como saúde e educação. Esse recurso pode ir para melhorar metrô, transporte coletivo. Gasolina barata é coisa de país pouco desenvolvido.


O tema é controverso. A classe C tem sido a principal responsável pelo aumento do consumo de combustíveis e pela compra de automóveis no Brasil. Segundo o antropólogo Everardo Rocha, da PUC-Rio, a carência de transportes públicos de qualidade muitas vezes exige a compra de um carro.


— Uma gasolina mais barata também incentivaria a indústria e a economia inteira. Foi assim nos EUA. Uma gasolina barata não é uma questão apenas de classe social. E quem garante que os recursos arrecadados são revertidos em investimento ou se perde em coisas menos importantes? — disse Rocha.


Petrobras alega que recebe R$ 1 por litro vendido

O combustível brasileiro aparece na pesquisa com o mais caro da América Latina, superando países como Chile (R$ 2,71), México (R$ 1,29) e Venezuela (R$ 0,03). Esta última tem o combustível mais barato do mundo.


O preço do combustível brasileiro não é mais caro porque a Petrobras vende o produto a preços subsidiado na refinaria, o que chegou a prejudicar o resultado da companhia no quarto trimestre do ano passado, cujo lucro caiu 52% frente ao mesmo período do ano anterior. E isso pode aumentar a pressão na estatal por um reajuste de preços.


Em entrevista exclusiva ao GLOBO publicada nesta quarta-feira, a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, afirmou que “num tempo determinado, os preços terão que ser ajustados” ao ser perguntada sobre os impactos da perdas com combustíveis da companhia no ano passado. "Comparando 2011 com 2010, tivemos uma diferença de R$ 2,8 bilhões, o que é muito”, acrescentou Graça Foster.


Segundo a Petrobras, a companhia recebe sem impostos R$ 1,02 para cada litro de gasolina comum vendida nos postos, considerando um valor de R$ 3 por litro. A empresa acrescenta que não tem ingerência sobre o valor restante (R$1,98). “Portanto o preço final da gasolina no varejo não depende exclusivamente da companhia, mas envolve outros agentes”, acrescentou em nota.


Adriano Pires , do Cbie, defende a livre flutuação de preço do combustível e afirma que o governo brasileiro erra ao usar a gasolina como mecanismo de controle de inflação.


— O governo brasileiro tem que procurar outros meio de controlar a inflação sem ser pelo controle de preço do combustível. Em outros países, quando o preço do petróleo sobe, o custo da gasolina cresce — explica.


O produto comercializado pela Petrobras está 16% mais barato na gasolina e 21% mais barato no óleo diesel em relação ao preço lá fora. Por isso, a estatal deixou de arrecadar R$ 7,8 bilhões em 2011.



PRIVATIZAÇÃO DOS PORTOS

Exame

Depois de aeroportos, governo prepara licitações para portos

Porto de Santos


São Paulo - O governo Dilma Rousseff vai recorrer novamente à iniciativa privada para resolver gargalos de infraestrutura do país. Depois de fazer a concessão dos aeroportos, já prepara licitações de terminais portuários ainda neste ano, mas esse processo pode encontrar dificuldades na Justiça se a União decidir mesmo licitar áreas cujos contratos ainda não venceram.

O diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Fernando Fialho, disse à Reuters que o setor portuário passará por uma reformulação, licitando novamente contratos de arrendamento, portos delegados a Estados e municípios e terminais que já estão sob gestão privada.
Na mira do governo estão pelo menos 77 terminais e áreas arrendadas pela iniciativa privada em portos pelo país. As primeiras licitações que devem ser lançadas são para um novo porto de Manaus e, provavelmente, o Porto de Imbituba, em Santa Catarina, cujo contrato vence no final deste ano, segundo Fialho.
Durante as reuniões que manteve sobre infraestrutura no início de janeiro, Dilma disse queria uma solução urgente para os portos.
"Esse é um dos desafios fundamentais para enfrentar em 2012 para o desenvolvimento do país. Temos que destravar o nó dos portos", afirmou Dilma aos ministros que participavam da reunião, segundo relato de uma fonte do governo, que falou com a Reuters sob a condição de anonimato.
Fialho, da Antaq, disse que a decisão política de licitar novamente os contratos já foi tomada.
Contudo, ainda não há uma definição em relação ao modelo a ser adotado e nem se o governo privilegiará tarifas menores nas operações portuárias ou a arrecadação de outorgas para escolher o gestor privado do negócio.
O diretor-geral da Antaq contou que o governo quer melhorar a gestão, por meio de novas licitações ou adaptações nos contratos, nos sete portos considerados estratégicos pelo governo: Santos (SP), Rio Grande (RS), Paranaguá (PR), Rio de Janeiro, Itaguaí (RJ), Vitória e Itaqui (MA).
Judicialização
Nas últimas semanas, a Casa Civil tem coordenado uma série de reuniões sobre o tema e tentado encontrar saídas jurídicas para evitar a judicialização dos futuros processos licitatórios, segundo disse a outra fonte do governo.
As dificuldades residem no emaranhado de legislações sobre portos, que mesmo depois da Lei dos Portos, aprovada em 1993, continuam deixando abertura para interpretações sobre a renovação dos contratos celebrados antes dessa legislação.
Um parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) considera que os contratos celebrados antes da Lei dos Portos e que ainda não remuneraram adequadamente os investidores devem ser encerrados pela União, que deve ressarcir o contratante, permitindo que seja feita uma nova licitação.
Esse caminho jurídico permite que o governo consiga renovar um grande número de áreas em todos os terminais do país. "O governo pode conseguir novas metas e melhorar a gestão com as novas licitações", argumentou Fialho.
Disputa jurídica
Porém, outro trecho do mesmo parecer é usado pela Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABPT) para argumentar que os contratos firmados antes da Lei dos Portos deveriam ser adaptados e estendidos por um período igual ao estipulado no primeiro documento.
"Com a Lei dos Portos ficou definido que o Executivo faria a adaptação de todos os contratos ao novo modelo jurídico para evitar um apagão aeroportuário e a insegurança jurídica dos contratos", disse o presidente da ABPT, Wilen Manteli.
Ele acrescentou que mesmo assim ao longo dos anos o governo federal não fez essa adaptação em vários casos. A associação representa mais de 100 terminais portuários no país.
Manteli lembrou que o governo está estendendo os contratos de concessão na área de energia e que devia usar o mesmo critério nos contratos portuários, e prevê que se as licitações de áreas sob contrato ocorrerem haverá uma grande grande batalha jurídica.
"As empresas não vão abrir mão dos seus direitos. Vamos discutir até as últimas consequências. Não acredito que o governo vai preferir o conflito", disse Monteli.

FICHA LIMPA

Felipe Recondo e Mariângela Gallucci, de O Estado de S.Paulo

Voto de Rosa Weber praticamente define placar de decisão sobre a Ficha Limpa

BRASÍLIA - O voto da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber favorável à constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa praticamente definiu o placar do julgamento iniciado nesta quarta-feira, 15, e que deve ser retomado na quinta-feira, 18. Rosa Weber se junta a pelo menos cinco ministros que em julgamentos anteriores já haviam se manifestado pela constitucionalidade da lei que veda a candidatura de políticos condenados por órgãos colegiados e daqueles que renunciam para fugir de processos de cassação.
Com isso, a Lei da Ficha Limpa deverá ser aplicada nas eleições deste ano de forma integral, salvo alguma alteração pontual que pode ser feita até o final do julgamento. A votação foi interrompida ontem quando o placar estava 4 a 1, favorável a declarar a lei constitucional.
Recém empossada no STF, Rosa Weber afirmou em seu voto que a Lei da Ficha Limpa não viola o princípio da presunção de inocência ao tornar inelegíveis políticos condenados judicialmente por órgãos colegiados, como um tribunal de Justiça, mesmo que ainda caiba recurso dessa condenação. Em seu voto, a ministra afirmou que a presunção da inocência está vinculada ao direito penal. Impor restrições em caráter eleitoral a políticos condenados em segunda instância não configuraria violação ao princípio da inocência e garantiria a proteção da coletividade e do estado democrático de direito.
"A Lei da Ficha Limpa foi gestada no ventre moralizante da sociedade brasileira que está agora a exigir dos poderes instituídos um basta", afirmou a ministra em seu voto. O homem público, acrescentou, submete-se a regras mais severas do que o homem comum. "Entendo que esta Corte não deve ser insensível a essas aspirações populares", disse a ministra.
O voto de Rosa Weber vai ao encontro do que já manifestaram publicamente os ministros Luiz Fux, Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto e Cármen Lúcia. O ministro Marco Aurélio, que votou em 2011 por adiar para as eleições deste ano a aplicação da Lei da Ficha, deve se juntar a esses ministros, conforme revelou a ministros da Corte.
O ministro Dias Toffoli, que havia pedido vista do julgamento no ano passado, julgou ser inconstitucional barrar a candidatura de políticos condenados em segunda instância, mesmo que ainda possam recorrer da condenação. No entanto, ele entendeu que é legítimo impedir a candidatura de políticos que renunciam para fugir de processos de cassação.
Ao final do julgamento, os ministros podem reduzir os prazos previstos na lei para tornar um político inelegível. De acordo com o texto, o político se torna inelegível a partir da condenação em segunda instância, estendendo-se pelo prazo que for necessário até que seja condenado em última instância, somado o tempo em que estiver cumprindo a pena que foi imposta e mais oito anos a contar do fim do cumprimento dessa sanção.
Conforme os contrários à regra, esse dispositivo poderia tornar o político inelegível por mais de 50 anos. Fux sugeriu em seu voto, e essa proposta deverá ser discutida, que seja possível abater do prazo de inelegibilidade de oito anos o período decorrido entre a condenação por órgão colegiado e a decisão definitiva da Justiça. "Com os recursos, o tempo poderia ficar muito dilatado", disse o ministro.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O PROBLEMA É A IMPUNIDADE


O Brasil tem problemas que existem na maioria dos países do mundo.

A corrupção em larga escala, aumento de homicídios nas cidades do interior, que antes era privilégio das capitais, mortes crescente no trânsito e nas rodovias. Assaltos, roubos, sequestros, uso indiscriminado de drogas, criando-se inúmeras cracolândias nas cidades e outras mazelas que convivemos no dia a dia em nosso país.

Tenho convicção, entretanto, que o nosso maior problema é a IMPUNIDADE.

As leis não são cumpridas, o judiciário é lento e a diferenciação na aplicação da lei entre ricos e pobres é gritante.

Pobre vai para a cadeia e rico vai para a UTI.

VIVA O BECODALAMA

Eduardo Alexandre - Dunga

A PRAÇA DA ALEGRIA DOS NOSSOS DIAS

Natal nasceu na Cidade Alta.

Desde sua fundação, em 25 de dezembro de 1599, foi a Cidade Alta o palco dos ajuntamentos sociais de Natal. Sacros e profanos, a princípio na Praça da Alegria, que, após a morte do padre João Maria, em 1905, tomou seu nome a partir de resolução assinada pelo intendente Joaquim Monoel Teixeira de Moura, em 11 de julho de 1906.

Nesse início de século XX, os acontecimentos profanos vieram para a Rua da Palha, que tomou a denominação de Vigário Bartholomeu.

O maior ajuntamento cotidiano de pessoas, as festas da cidade, durante décadas deste século, foram ali perto da antiga Praça da Alegria e da antiga Rua Palha, cidade crescendo rumo aos morros do Tirol: o Grande Ponto.

O Beco da Lama no meio do alvoroço do crescimento da cidade.

Beco da Lama por ser o escoadouro das águas servidas que vinham dos fundos das aristocráticas residências da Vigário Bartholomeu e Rua Nova, depois Avenida Rio Branco.

Beco da Lama estigmatizado pelo nome. Mas Beco buscado pela boemia discreta, ciosa de música e conversa boa longe do ruge-ruge barulhento do entorno.

Por ali, transitava Cascudo, saído do Café Grande Ponto, depois Café Avenida, em busca de novas informações e divertimentos no Potiguarânia, depois Café Magestic, defronte do Royal Cinema, esquinas de Vigário Bartholomeu com Ulisses Caldas. Prosas e prosas, poesia, com Jorge Fernandes, poeta modernista residente na Rua da Palha, cujos fundos de quintal davam para o Beco da Lama.

Quando cansado de suas décadas de dedicação à Academia Norte-riograndense de Letras, Manoel Rodrigues de Melo se dirigia ao Beco. Queria conversa com Berilo Wanderley, Luís Carlos Guimarães, Newton Navarro, Bosco Lopes, amigos que sabia encontraria ali para partilhar uma teutônica, como chamava a cervejinha do desprendimento.

Quando Nasi Canaã se estabeleceu na esquina da Rua Doutor José Ivo (Beco da Lama) com a Cel. Cascudo (pai do etnólogo folclorista), e popularizou entre nós a 'meladinha', o doutor Manoel de Brito vez dali parada diária.

E quantas não foram as figuras de importância e sem importância alguma que fizeram dali pouso de cura para as agruras dos dias?

O Beco estigmatizado pela lama que já não mais havia, com o surgimento da Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências (adjacências sugeridas pelo poeta Volontê para dar consistência à sigla), a querida SAMBA, tomou gosto de festa e muitas vieram para trazer a população tangida pelo crescimento da cidade de volta ao seu centro histórico, berço.

O respaldo de toda a gente que se fez presente às centenas nessas festas foi fator de importância para que o Beco se tornasse um referencial de cultura da cidade. Esse respaldo de amor popular fez com que a nossa Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o IPHAN, voltasse vistas para uma possibilidade concreta de transformar toda aquela área central e também a Ribeira como algo digno de preservação, e tudo se transformou, em 2010, em Patrimônio Histórico Nacional.

É essa conquista de tantos que agora está ameaçada de retrocesso por uma intriga mesquinha de vizinhas que levaram querela ao Ministério Público do Meio Ambiente, que, aferrado a rigidez que compõe leis mal escritas, hoje impõe o fim da festa.

Festa que divulga e traz benefícios, traz emprego, traz turistas.

Por tudo isso, políticos e populares, artistas, hoje estiveram ali naquela esquina pedindo à cidade que se compadeça dos maus presságios de fim de festa e se imponha através de sua cultura como logradouro que, também por amor, se quer preservar.

O Beco é hoje a Praça da Alegria da nossa cidade Natal.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

ÁLCOOL E DIETA

Exame



Álcool: amigo ou inimigo da dieta?

Pessoa bebendo cerveja


São Paulo – Apesar da famosa expressão “barriga de cerveja”, esse não é necessariamente o destino de quem gosta de consumir bebidas alcoólicas. Diversas pesquisas têm apontado que beber não está diretamente ligado ao aumento de peso e que tomar umas e outras de vez em quando pode até fazer bem à saúde.
“Doses equilibradas de álcool podem certamente prevenir doenças cardiovasculares, evitar inflamações e impedir o acúmulo de gordura no fígado”, afirma a nutricionista Roseli Rossi, da Clínica Equilíbrio Nutricional. A nutricionista Vânia Barberan, membro do Conselho Regional de Nutricionistas do Rio de Janeiro, concorda e cita a “dieta do mediterrâneo” como exemplo.
Nela, é recomendado o consumo diário de vinho (uma taça para mulheres e duas para homens), que pode ainda combater o envelhecimento precoce, doenças degenerativas e diabetes, segundo estudos. A cerveja também pode ser benéfica para a saúde, de acordo com uma pesquisa espanhola de 2011. O levantamento indica que uma caneca de cerveja por dia ajuda a prevenir a diabetes, a hipertensão e até mesmo o ganho de peso.
Roseli Rossi diz que estudos populacionais revelam que homens que bebem moderadamente têm, em média, o mesmo peso dos abstêmios. Isso porque a bebida alcoólica estimula a região de prazer e recompensa no cérebro, podendo substituir alimentos que provocam a mesma sensação, ricos em carboidratos refinados, sal e gorduras.
Mas, antes de brindar a notícia, é preciso lembrar alguns detalhes. “Hoje, o consumo de cerveja no Brasil é absurdo”, afirma Vânia. Dados do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), de 2010, apontam que a produção brasileira de cerveja foi de 12,6 bilhões de litros no ano – maior do que Alemanha e Rússia.
 Um consumo compatível com essa produção pode colocar qualquer dieta em perigo. Apesar de 200 mililitros de cerveja ter pouco menos que 90 calorias (valor próximo ao de um pote da mesma quantidade de iogurte desnatado), dificilmente o consumo para em apenas um copo.
“Ninguém senta em um bar, toma um copo de cerveja e vai embora. A pessoa bebe, come um salgado e, quando come, dá vontade de beber mais. Aí, quando ela vê, já tomou oito doses”, diz Vânia Barberan. Essa combinação explosiva de álcool e petiscos gordurosos também é uma ameaça quando se diz respeito a outros tipos de bebidas.
Segundo a nutricionista Roseli Rossi, quanto maior o teor alcoólico de uma bebida, mais calorias ela terá e, consequentemente, maior será seu poder engordativo. Enquanto 200 mililitros de vinho tinto têm 144 calorias, a mesma quantidade de vodca tem 462 calorias, por exemplo.
“Cada grama de álcool contém sete calorias (três a mais do que o açúcar comum), que podem ser chamadas de ‘calorias vazias’, pois não nos oferecem nenhum nutriente, apenas nos dão uma falsa ilusão de saciedade”, afirma. É por isso que, para as especialistas, aliar moderação e reduzir os tira-gostos na mesa do bar são as melhores maneiras de aproveitar os benefícios que a bebida pode trazer, sem brigar com a balança depois.


O FIM DO CURRÍCULO

Exame

Empresas de internet decretam o fim do currículo no Brasil

4. Difunda seu perfil


São Paulo - Pouco mais de um ano atrás, o estudante de sistemas de informação Estevão Mascarenhas, então com 19 anos, passou por uma situação curiosa. Ele começou a interagir nas redes sociais, sem saber, com seu futuro patrão. No fim de 2010, Horácio Poblete, presidente da startup Ledface, começou a seguir o jovem no Twitter por indicação de amigos – que, por sua vez, não tinham qualquer ligação direta com o universitário.

Empregador e funcionário em potencial começaram a discutir empreendedorismo pela rede de microblogs, até que Horácio tivesse intimidade o suficiente para solicitar a Estevão que o adicionasse em seu Facebook. Depois de três meses de observação virtual intensa, o executivo finalmente se convenceu de que o estudante era um profissional que, além de qualificado tecnicamente, identificava-se com os valores da empresa. A proposta veio em seguida. Estevão largou a faculdade na Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), em Minas Gerais, e mudou-se para Campinas, em São Paulo, de emprego novo, sem ter enviado ao menos um currículo.
Casos como esse são cada vez mais comuns no país. Não chega a ser novidade que as companhias 'bisbilhotem' os candidatos nas redes sociais antes de chama-los para entrevistas. De acordo com uma pesquisa da empresa de recrutamento americana Robert Half, 63% das companhias brasileiras consultam perfis de candidatos nas redes de relacionamento.
Mas até então esse procedimento era complementar. “No final, os recrutadores cruzavam os dados do currículo, as impressões da entrevista formal e as individualidades dos candidatos com base em suas informações de perfis na web”, explica Bernardo Entschev, CEO da recrutadora de executivos De Bernt Entschev. Hoje, no entanto, já existem empregadores – ao menos no caso de grupos que trabalham diretamente com tecnologia da informação – que vão além. Elas ousam dispensar completamente o currículo. A ideia é analisar, não só a capacidade técnica, mas também valores, o nível cultural e a intimidade do candidato com a internet apenas por intermédio de suas pegadas na web.
EUA na dianteira – No Brasil, o processo é, por enquanto, restrito a empresas focadas no mundo digital, sobretudo para vagas de estrategistas de mídias sociais. Nos Estados Unidos, porém, até o mercado financeiro adotou a nova política. Recentemente, a empresa de capital de risco Union Square Ventures – que já investiu em pesos pesados da internet como Twitter, Foursquare e Zynga – pediu que os candidatos a uma vaga de analista de investimentos enviassem apenas links que representassem sua interação na web, como contas no Twitter ou no Tumblr.